Para quem não tem onde ir, todos os caminhos são vazios. Olho pela janela e vejo a vida passando. Está frio em Curitiba, bem frio. As pessoas e seus casacos passam por mim compenetradas, com fumaça saindo da boca. São olhos decididos buscando não se desviar do caminho e isso me espanta. Não sei onde estou indo, mas continuo indo mesmo assim.
Ando como quem explora a vida. Sem caminho certo, data ou local de chegada. O que vale é o caminho, o buraco, o tropeço, a paisagem de cada curva. O que importa é continuar caminhando, só que andar dói e muito! É solitário e triste deste lado da foto que desenhei e agora entendo que o Almir Sater andava devagar porque já teve pressa e carregava o sorriso porque tinha cansado de chorar. Também me sinto mais forte, mas mais feliz ainda é uma mentira.
Eu ando por aí sem paz, sem sossego, sem origem, sem "this is where you belong". Eu ando por horas a fio, kilometros sem parar e a encruzilhada continua a minha frente - e dentro do peito. Pulo o tempo todo entre todas as microvidas imaginárias que criei de lá pra cá e isso me dá ainda mais impulso, o Canadá é logo ali.
Se não for por bem, que seja à força! E a fragilidade toda incide e tudo me divide....
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